ana luiza fonseca [tijuana]

 

qual foi o primeiro contato com publicações de artista?

não tenho tão claro na minha memória. mas me lembro de um caderno do cacaso que meu pai me mostrou uma vez, eu devia ter uns 12 anos. tinham poemas, desenhos, foi a primeira vez que vi um aproveitamento total daquele objeto, e me impressionou como ele tratava com tanto cuidado cada uma das páginas. aquele objeto tinha uma alma, era diferente dos outros.

já durante a faculdade, em 2006, eu fui monitora da bienal de são paulo curada pela lisette lagnado, e conheci o trabalho da eloísa cartonera. naquela altura eu não tinha nenhuma ideia do que era um processo editorial, mas de alguma forma os livros cartoneiros reelaboraram o que eu achava que era necessário para um livro vir ao mundo. desde então tudo ficou mais possível.

quando e como começou a publicar?

eu comecei a publicar em 2010, para a edições tijuana. a tijuana é um braço da galeria vermelho, e eu trabalhei lá de 2008 a 2015. em 2010, teve uma exposição individual da dora longo bahia na vermelho, chamada "trash metal". ao longo do processo de criação dessa exposição, a dora usou um caderno no qual ela desenhava e pintava imagens que, no geral, remetiam às obras  da trash metal, porque o caderno a acompanhou enquanto ela estava pensando essa exposição. e não era qualquer caderno! antes da dora usá-lo, o caderno já carregava desenhos científicos de vermes, que alguém tinha feito há tempos atrás, e os desenhos da dora eram sobrepostos aos desenhos dos vermes. a tijuana ficou responsável por publicar uma edição desse caderno para a exposição da dora na vermelho, e foi alguns dias antes de mandar o arquivo para impressão que foi decidido criar o selo "edições tijuana", e incluir na última página do arquivo. então, a dora escreveu "edições tijuana" à mão, escaneamos, e lançamos o selo junto com o livro, que se chamou vermes e teve uma tiragem de 25 exemplares.

fale sobre a edições tijuana.

a edições tijuana foi consequência do que eu e eduardo brandão já fazíamos com o espaço tijuana, na vermelho, e do salon light - flores e livros, que foi a edição piloto da feira tijuana (em 2019). quero dizer, já agitávamos de várias maneiras a produção e a circulação de publicações de artistas, e começar a editar se tornou necessário. olhando no catálogo da edições tijuana, penso como cada aproximação aconteceu de uma maneira e resultou em um processo editorial único. até onde eu acompanhei de dentro, ou seja, até 2015, o papel de editora era encarado de forma bastante experimental, e de lugares diferentes dependendo da produção de cada artista. 

como você pensa na circulação das publicações?

penso que é uma etapa que ainda faz parte do processo editorial e criativo de cada publicação. a forma de circulação adotada por editoras e artistas independentes é uma escolha artística e política.

por que publicar?

porque publicar é um ato de resistência. publicar é continuar existindo e lutando pela cultura. por que não publicar?

indique três publicações que te fazem querer continuar publicando.

“07 notas sobre o apocalipse ou poemas para o fim do mundo”, tatiana nascimento - editora garupa (rio de janeiro/rj);

“no sé si es una tormenta”, lucía peluffo - la balsa editora (buenos aires e bilbao);

“sabão”, fabio morais - plataforma par(ent)esis (florianópolis/sc).

se quiser, conta pra gente: como você e a flamboiã se conheceram?

ahhh eu conheci vocês pela regina melim, que me apresenta muita gente legal. acho que nos aproximamos  quando fui a floripa em 2016 para participar do seminário pretexto, lá no sesc prainha. teve uma noite na casa da regina, bem divertida, e umas cervejas pelo centro de floripa. adoraria repetir.

conheça a tijuana:

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