regina melim [parentesis]

 

qual foi o primeiro contato com publicações de artista?
meu primeiro contato com publicação de artista foi na década de 1980 com o “aspiro o grande labirinto”, do hélio oiticica. em seguida com os cadernos da funarte destacando o “manual da ciência popular”, do waltércio caldas e o da lygia pape que trazia dentro o “livro da criação”. mas o meu contato do livro como objeto vem da minha infância e trago ainda na memória a estante de livros publicados pelo instituto nacional do livro na biblioteca da escola de meu pai, todos de capa creme impresso em preto e o título em vermelho. eram fileiras de livros, todos da mesma cor. você tinha que chegar perto e muitas vezes tocar neles para reconhecer. 

quando e como começou a publicar?

em 2006 publiquei o primeiro trabalho, uma exposição coletiva dentro de uma publicação que reproduzia um bloco de notas chamada “pf.” foi uma publicação que surgiu como uma prática coletiva em sala de aula com alunos da graduação e da pós-graduação em artes visuais. na sequência, convidamos uma série de artistas, totalizando 36 participantes. todos os trabalhos eram instruções para a realização de obras.  

fale sobre a plataforma par(ent)esis.

a par(ent)esis surgiu com essa primeira publicação, o “pf”, em 2006. na época eu estava muito interessada em pensar a publicação como uma prática curatorial, que é algo que ainda me interesso. tempos depois comecei a justapor prática curatorial e artística. a par(ent)esis também sempre esteve ligada à minha atividade de ensino e pesquisa na universidade e ao longo desse período de existência sempre agregou muitos alunos que participaram das aulas que ministrei e das pesquisas e projetos que desenvolvi. não existiria a par(ent)esis se não fosse todas essas pessoas que fui encontrando ao longo desses anos. 

como você pensa na circulação das publicações?

a circulação é algo inseparável da publicação porque ela em si já nasce com essa vocação. livros sempre foram feitos para circular entre pessoas. publicar é criar um público. é atender a vida social desse objeto. quando a par(ent)esis surgiu, em 2006, não havia feiras nem lugares especializados em publicações de artistas aqui no brasil. assim, era preciso criar um circuito a cada publicação realizada. as primeiras publicações, por exemplo, realizávamos exposições relâmpagos nos mais distintos lugares, que duravam apenas algumas horas, com uma mesa cheia de livros acompanhada de conversas. criamos em 2009 um projeto que se chamou loja e que foi inteiramente voltado para a circulação de publicações de artista, para criar público e atender a vida social desse objeto reunindo muitos artistas que publicavam. surgiram as feiras, criamos outros projetos com essa mesma intenção de formar público e ampliar o circuito e que passaram a circular dentro de feiras, como a turnê, junto com a maíra dietrich e o fabio morais. esse ano, por conta da pandemia do covid -19 tivemos que nos reinventar. um projeto, o “tabloide”, que havia iniciado como impresso no formato de um grande jornal, acompanhado de leitura em voz alta para um público, teve que ser totalmente repensado para a web, desde o projeto gráfico à sua recepção. 

por que publicar?

porque é um vício muito bom.  

indique três publicações que te fazem querer continuar publicando.

todas que publiquei, quando as vejo impressa eu fico segura que quero continuar publicando. é como se não existisse adversidade alguma e tudo se revertesse apenas em um grande prazer. mas tenho que admitir que nesses anos muitas publicações me fazem continuar publicando: “rodapé”, “sabão” e, nesse momento, o projeto “tabloide”. 

conheça a par(ent)esis:

plataformaparentesis.com

instagram.com/plataformaparentesis